Onde vibra a água

Arte e cognição distribuída na Metodologia Zahorí

Palavras-chave: arte, ciência, semiótica, processo criativo, ecologia

Resumo

Este artigo propõe uma leitura da metodologia concebida pelos autores, a Metodologia Zahorí, como situação exemplar de externalismo ativo e cognição distribuída nos processos criativos contemporâneos. A partir da articulação entre práticas artísticas eco-localizadas, o conceito de externalismo ativo, estudos sobre semiose no pensamento de Charles Peirce, e sistemas cognitivos distribuídos, analisamos os modos como a criação artística pode operar como sistema material-cognitivo não centrado no sujeito. Propomos uma metodologia artístico-investigativa que, inspirada na figura do radiestesista tradicional, oferece uma prática de escuta sensível e ressonância com o território como forma de criação situada, articulando arte, ciência e ecologia do lugar. Ao tratar o “ser-Zahorí” como operador de escuta e ressonância com o território, sugerimos que a criatividade emerge não de um “eu criador” isolado, mas de uma configuração distribuída entre corpos, territórios e atmosferas como signos. Por fim, problematizamos as limitações e tensões desse modelo em um projeto ainda em constituição, evitando sua idealização precoce. 

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Biografia do Autor

Sabina Simon Moreno, Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Sabina Simon é pesquisadora no cruzamento entre arte e ciência, com ênfase no que uma gota de água representa para o mundo. Nascida em Barcelona, moradora na Região Oceânica desde 2014, ela encontrou no Brasil uma sociedade humanizada e um entorno natural sem igual, no qual dedica o seu trabalho, ao devolver natureza à natureza, reconectar as pessoas com os seus territórios, e trazer reflexão sobre as mudanças climáticas. É diretora do AderivaLab, em Maricá-RJ, um espaço de criação de projetos transdisciplinares de base comunitária, voltados à regeneração socioambiental, com especial ênfase na Água, base da vida. Doutoranda em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (HCTE-UFRJ, 2024-), com bolsa vigente da CAPES, Mestra em Estudos Contemporâneos das Artes do Instituto de Artes e Comunicação da Universidade Federal Fluminense (IAC-UFF, 2022), e Graduada em Design pela Escola de Diseny Elisava da Universitat Pompeu Fabra (UPF, Barcelona, 2003), com equivalência em Artes pela University of Southampton, Inglaterra. Conta com cursos de fotografia no Internacional Center of Photography (ICP, Nova Iorque, 2009), Processo Criativo na Escola de Artes Visuais (EAV, Rio de Janeiro, 2010), e ''Ecossemânticas: arte, paisagem e ecologia'' (Pinacoteca de São Paulo, 2024), entre outros. Como estagiária docente na UFF, implementou o curso ''A poética holística das plantas'' e tem participado como palestrante em seminários nacionais e internacionais, como o Nature Arts Interconection Conference da Faculdade de Arts e Design da Universidade de Timisoara (Romênia, 2022), o International ArtsHealth (Rio de Janeiro, 2025), a Maestría en Estudios en Literacidad da Universidad de Guadalajara, México (2025), no Grupo de Trabalho para a Educação do programa Territórios Empreendedores da Sebrae (2025) e o Seminário Hiperorgânicos 12 (Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2025), como parte do programa do NANO da UFRJ (Núcleo de Arte e Novos Organismos). Foi privilegiada com bolsas do PICE (Programa para a Internacionalização da Cultura Espanhola) do Governo da Espanha, do Institut Ramon Llull e do Governo da Catalunha para os projetos ''Manifesto Fitoplâncton'', ''Claridade, Dejuni Imaginari'' e ''O Coração sob a Terra''. Possui experiência na área de Artes, atuando nos temas: novas ecologias, processo criativo, arte e sustentabilidade, mudança climática, inteligência vegetal, bio-materialidade, água, psico-espiritualidade, fotografia, botânica, paisagismo, território e comunidades ribeirinhas. É segunda líder do Grupo de Pesquisa ''Espacialidades críticas: pontes femininas entre arte e arquitetura'' (UFF), integra o GP ''Ynterfluxes'' (UFF), ambos com linha em ''Arte, Ciências e Naturezas Contemporâneas'' e desde 2025 faz parte da iniciativa internacional Landscape Research Group. Conta com exposições no Brasil e no exterior, como em Ras de Terra (Espanha, 2025), no Museu Municipal Hélio Oiticica (2024), na Pinacoteca de Concepción, Chile (2023), na Bienal de Arte y Ciencia de Concepción (2022), no Paço Imperial no Rio de Janeiro (2022), no SESC de São Paulo (2022), na Amalgama em Londres (2021), na Fundació Miró em Barcelona (2015), na Bienal de Cerveira em Portugal (2013) e no Kuntshalle, Museums Quartier, Viena (2012), entre outros. Entre seus projetos em andamento, estão a publicação do livro ''Manifesto Fitoplâncton'', a voz vegetal da água, desde perspectivas da arte, a ciência e a espiritualidade; ''Estrelas d'água'', uma vivência imersiva de arte-ciência-educação para as crianças das escolas públicas; ''Parar, escutar, co-criar. A Metodologia Zahorí aplicada aos processos criativos entre arte, ciência e a ecologia do lugar''; ''Futuros Flutuantes'', o primeiro Museu Flutuante do mundo, premiado com moção de aplausos pela Câmara Municipal de Niterói, em 2026; e a idealização do ''Parque Botânico Ecológico de Restinga'', selecionado para a COP do Povo em 2025.

Barroco, UFRJ

Nascido no Rio de Janeiro, atuou como professor de química, ainda na graduação, no projeto Universidade para os Trabalhadores da UFRJ (ASUFRJ) entre 1984 e 1989. Formou-se em engenharia química e Licenciatura Plena em Química pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Fez mestrado em Educação na Universidade Federal Fluminense (UFF)) e doutorou-se em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Quando a ASUFRJ foi transformada em SINTUFRJ, em 1993, foi convidado a assumir a posição de Professor de Química do Curso Pré-Vestibular do SINTUFRJ, aonde atuou entre 1994 e 2009. Foi professor da escola básica na rede privada e da rede pública na SEEDUC-RJ (Colégio Estadual Amaro Cavalcante). Foi professor de Química Geral e Inorgânica no CEFETEQ, CEFET-Química e do IFRJ entre os anos de 2000-2003 e de 2006 a 2011. Atua na Produção de conteúdo audiovisual (assistência de direção e montagem) e é Professor Adjunto na Licenciatura em Química do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ-UFRJ). Professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) no Grupo de Estudos em Educação Química (GEEDUQ). Membro egresso do Laboratório de Pesquisa em Ensino de Química e Tecnologias Educativas da FE-USP (LAPEQ). Coordena o Laboratório de Estudos em Semiótica e Educação Química da UFRJ (Leseq-UFRJ), vinculado ao programa de Pós-Graduação em Ensino de Química (PEQui) do IQ-UFRJ, ao Programa de Pós-Graduação em Química para Professores em Rede Nacional (ProfQui), e ao Programa de Pós-Graduação em História das Ciências das Técnicas e Epistemologia (HCTE). Fundador e Coordenador do Projeto de Ensino e Extensão CInÊNCIA. Foi Coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores da UFRJ (LIFE-CAPES-UFRJ) entre 2013 e 2019 e Vice-Coordenador do Núcleo de Educação à Distância da UFRJ (NEaD-UFRJ) no mesmo período. No Programa de Pós-Graduação em Ensino de Química da UFRJ (PEQui-UFRJ) foi vice-coordenador (2014-2015) e Coordenador (2016-2019). Foi membro do Conselho Nacional do ProfQui como representante da UFRJ entre 2016 e 2019. Suas Pesquisas abordam a produção de audiovisual entre a formação docente e a escola; externalismo ativo, semiótica, mediação e formas distribuídas de representação sígnica; a Filosofia da Química (Representação na Química Orgânica); Cinema e Escola; Cultura, Imagem, alteridade e produção de materiais nos Saberes Tradicionais das Américas do Sul e Central, e especificamente dos Povos Originários do Brasil; Qualidade Social da Educação; Formação de Professores; Montagem Audiovisual e Emancipação; Teorias Histórico Cultural e da Atividade (THC e CHAT); Teoria Semiótica de Charles Peirce. Foi membro da Associação Nórdica de Estudos Semióticos (NASS) entre 2013 e 2019, da Sociedade Internacional de Filosofia da Química (ISPC) entre 2011 e 2019, da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC) entre 2003 e 2013, da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) entre 1986 e 2006, e da Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ) entre 2018 e 2020. É membro da Associação Internacional de Estudos Semióticos (IASS) desde 2015, e membro da Associação Brasileira de Semiótica (ABES) desde 2025

Marcia de Noronha Santos Ferran, UFF

Professora Associada da Universidade Federal Fluminense, no Bacharelado em Produção Cultural do Pólo de Rio das Ostras desde 2009. e Prof Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas da UFRRJ desde 2026, Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990), mestrado em Urbanismo pelo PROURB da Universidade Federal do Rio de Janeiro com bolsa CAPES (2000), Doutorado co-tutela em Filosofia pela Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) (2007) com bolsa CNPq e em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (2007).Implantou e coordenou eventos científicos e culturais na França como o I Rencontre Culture em 2004 na Embaixada do Brasil e o Ciclo de Palestras científicas APEB-FR na França. Tem experiência em pesquisa na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo. Desde o doutoramento suas investigações focam os seguintes temas: equipamentos culturais nas periferias urbanas, política urbano-cultural, arte contemporânea, revitalização urbana e arte no espaço público. Em 2007 recebeu o Prêmio Rumos Itaú Cultural Pesquisa: Gestão Cultural 2007-2008 na categoria Pesquisa Concluídas pela dissertação de mestrado Participação, política cultural e revitalização urbana nos subúrbios cariocas : o caso das Lonas Culturais. De março de 2010 a março 2011 exerceu a Coordenação-Geral de Acompanhamento da Política Cultural no Ministério da Cultura do Brasil, quando integrou diversos júris de premiação pelo MINC e IPHAN, além de coordenar a consulta publica para inclusão da Arquitetura nos temas da Pré-Conferência Nacional de Cultura (2010) . Em 2015 realizou Estágio Pós-Doutoral na University of the Arts London com bolsa da CAPES. É líder do Grupo de Pesquisa ''Espacialidades Críticas: pontes femininas entre arte e arquitetura'' cadastrada no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil (CNpq) e integrante dos grupos de Pesquisa: '' O Espaço delas'' da Universidade Federal de Uberlândia e do ''Forum Permanente: sistema cultural entre o público e o privado'' do Instituto de Estudos Avançados/ USP. É autora do livro O Desafio da Hospitalidade - arte, cultura e resistência em subúrbios de Paris e do Rio de Janeiro publicado pela Editora Circuito e lançado em setembro de 2020, baseado na sua tese de doutorado.Em 2023 realizou Estágio Pós Doutoral na UFBA.

Referências

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ROSA, Hartmut. Alienação e aceleração: por uma teoria crítica da temporalidade tardo-moderna. Petrópolis: Vozes, 2022.

Publicado
2026-10-22
Como Citar
Simon Moreno, S., Araujo Neto, W., & de Noronha Santos Ferran, M. (2026). Onde vibra a água. Revista Scientiarum Historia, 1(1), e536. https://doi.org/10.51919/revista_sh.v1i1.536
Seção
Epistemologia, Lógicas e Teorias da Mente