Audiovisual brasileiro no século XXI

quais as bases da sua dependência?

Palavras-chave: Audiovisual brasileiro, Capitalismo digital, Estado neoliberal, Celso Furtado, Florestan Fernandes

Resumo

O artigo apresenta parte dos resultados da nossa pesquisa de mestrado na qual analisamos os impasses da regulação do segmento de vídeo sob demanda no Brasil. Por meio de um panorama histórico, transitamos pelo século XX e chegamos às primeiras décadas do século XXI, percebendo o quanto este modo de acumulação desorganiza antigas questões do audiovisual brasileiro, obrigando-o a repensar suas estratégias de sobrevivência entre um Estado neoliberal e o capitalismo digital. Também foi necessário nos debruçarmos em autores que analisaram problemas estruturais do Brasil, principalmente, Celso Furtado e Florestan Fernandes, para compreendermos que subdesenvolvimento, dependência cultural, desigualdades sociais são inerentes à formação do país e determinantes da sua forma de inserção no mercado internacional, inclusive no que diz respeito ao setor audiovisual.

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Biografia do Autor

Julia de Almeida Maciel Levy Tavares, Programa de Pós-graduação em Economia, Universidade Federal Fluminense

Economista, pós-graduada em Cinema Documentário e mestranda no programa de pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (UFRJ). Iniciou sua carreira como pesquisadora acadêmica no curso de economia e, posteriormente, como produtora em festivais de cinema. Atua há mais de 18 anos na área audiovisual desenvolvendo diferentes funções e projetos como distribuidora e exibidora no segmento de filmes de arte, produtora, pesquisadora e editora de publicações. De 2008 a 2014 esteve à frente da Superintendência de Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro onde implementou a política audiovisual fluminense desenvolvendo programas em parceria com instituições públicas como a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro; Agencia Nacional de Cinema (ANCINE), Riofilme, Marché du filme(Festival de Cannes), Cinemart (Festival Internacional de Cinema de Roterdã) entre outros. Colabora na curadoria de festivais de cinema, avaliação e consultoria de projetos audiovisuais. Integra o ELVIRAS - Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e o Laboratório de Estudos Marxistas (LEMA) do Instituto de Economia da UFRJ.

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Publicado
2023-05-02
Como Citar
de Almeida Maciel Levy Tavares, J. (2023). Audiovisual brasileiro no século XXI. Revista Scientiarum Historia, 1(1), e389. https://doi.org/10.51919/revista_sh.v1i1.389
Seção
Historicidade de Saberes Tecnocientíficos